Cronologia da joalheria: do Século XX até hoje

A joalheria é um espelho do tempo: traduz estilos, revoluções culturais e até movimentos sociais. Do início do século XX até a atualidade, cada década deixou um brilho único: A joalheria é um espelho do tempo: traduz estilos, revoluções culturais e até movimentos sociais. Cada década deixou um brilho único:

Início do século XX – joalheria na Art Nouveau (1890–1910)

O século XX começou com a efervescência da Art Nouveau, que dominou até a década de 1910. As joias desse período eram inspiradas na natureza, com formas fluidas e orgânicas, como flores, insetos e figuras femininas alongadas. Nomes como René Lalique se destacaram por usar materiais menos nobres, como vidro esmaltado e chifre, em peças de arte.

Técnicas e materiais das joias na Art Nouveau

Os joalheiros Art Nouveau utilizavam técnicas e materiais revolucionários para alcançar a estética fluida da época. Artesãos habilidosos moldavam os metais em curvas suaves. Embora pedras preciosas como a opala cintilante e o rubi intenso fossem populares, os artesãos preferiam chifre , osso e marfim para esculpir e esculpir linhas e imagens fluidas.

O esmalte foi fundamental para dar vida aos designs e adicionar cor – um elemento importante do design de joias Art Nouveau. A esmaltação 
plique-à-jour criou interpretações translúcidas de asas de insetos e plantas, dando vida às criaturas e à flora. O esmalte  Champlevé e  a Pâte de Verre adicionaram profundidade tridimensional às joias.

Art Nouveau: joias como poesia


Joias dos anos 20 e 30 – joalheria na Art Déco

Art Déco emergiu nos anos 1920 e 1930, trazendo uma estética completamente diferente. O estilo era caracterizado por linhas geométricas, simetria e cores fortes, marcaram joias sofisticadas e modernas. As joias Art Déco refletiam a modernidade e a velocidade da época, com designs elegantes e o uso de pedras preciosas lapidadas de forma precisa, como diamantes, esmeraldas e rubis, em composições impactantes.

Técnicas de Joalheria

  • Lapidação Geométrica: a técnica mais distintiva do período. A lapidação baguette, trapézio e esmeralda permitia que os joalheiros criassem desenhos intrincados e simétricos, onde as gemas se encaixavam perfeitamente como peças de um mosaico.
  • Engaste de Calhas (Channel Setting): nessa técnica, as gemas são colocadas lado a lado em uma espécie de calha, sem o uso de garras. Isso criava uma superfície contínua e linear de brilho, reforçando a estética minimalista e geométrica do estilo.
  • Técnicas de Esmaltação: o esmalte era usado para adicionar cor e contraste. A técnica de cloisonné (em que o esmalte é colocado em compartimentos formados por fios de metal finos) ou champlevé (em que o esmalte é preenchido em áreas escavadas) eram utilizadas para criar linhas nítidas e detalhes complexos em anéis, broches e pulseiras.
  • Mosaico de Gemas (Tutti Frutti): a casa Cartier popularizou uma técnica que combinava pedras preciosas esculpidas (como rubis, safiras e esmeraldas) com cores vibrantes em um design que lembrava frutas e folhas. Embora tenha uma inspiração mais orgânica, a organização das cores e das pedras em padrões definidos se encaixa na estética Art Déco.

Materiais e gemas

O Art Déco não se limitava às pedras preciosas tradicionais. Materiais como cristal de rocha e laca chinesa eram utilizados para criar peças de grande impacto visual, muitas vezes com um acabamento fosco que contrastava com o brilho das gemas.

  • Platina e Ouro Branco: A platina era o metal de eleição. Sua cor branca e resistência permitiam que as joias tivessem engastes finos e discretos, dando destaque total às gemas. O ouro branco também era muito utilizado como alternativa.
  • Diamantes: O diamante era a pedra mais usada, e a lapidação mais popular era a lapidação baguette ou a lapidação esmeralda, que davam uma forma retangular e geométrica à pedra. Isso permitia que os designers criassem linhas retas e padrões complexos.
  • Contraste de Cores: O contraste era fundamental. Cores fortes e vibrantes eram combinadas de forma ousada. Azul: Safiras, lápis-lazúli e esmalte azul. Verde: Esmeraldas e jade. Preto: Ônix e esmalte preto. Vermelho: Rubis e coral.

Joias dos anos 40 e 50 – Glamour do pós-guerra

As joias das décadas de 1940 e 1950 são marcadas por um período de transição e contraste. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) influenciou a produção de joias nos anos 40, enquanto o otimismo do pós-guerra e o glamour de Hollywood moldaram o estilo dos anos 50. Com o fim da guerra, o cenário da moda e da joalheria mudou completamente. A era do New Look, de Christian Dior, com suas silhuetas elegantes e femininas, influenciou o design de joias. A platina voltou a ser o metal de preferência, e os diamantes se tornaram a joia mais cobiçada.

As joias dos anos 50 eram mais delicadas e femininas do que as da década anterior. Os colares bib (aqueles que cobrem o colo como um babador) eram populares, assim como os colares de pérolas, que eram um acessório clássico e indispensável. Os anéis de coquetel, com grandes gemas coloridas, eram a peça preferida para eventos noturnos.

Materiais e gemas

Os anos 40 foram um período de restrições de materiais, o que levou os designers de joias a serem criativos e a usarem metais menos nobres. O ouro rose se tornou popular, pois era mais fácil de obter do que a platina. As joias eram maiores, mais pesadas e com designs arrojados. Os broches eram peças-chave, muitas vezes com motivos florais ou em forma de laço. Ouro e pérolas em alta. A joia se tornou símbolo de status, imortalizada pelas divas de Hollywood.

Artistas que usavam joias nos anos 40 e 50

Marilyn Monroe: Marilyn era famosa por sua paixão por diamantes. Sua interpretação da canção “Diamonds Are a Girl’s Best Friend” no filme Os Homens Preferem as Loiras (1953) a eternizou como o ícone de beleza e glamour. Ela era vista com colares de diamantes e brincos de pérolas que ressaltavam sua beleza.

Elizabeth Taylor: Liz Taylor foi uma das maiores colecionadoras de joias da história. Ela possuía uma coleção impressionante, que incluía o diamante Krupp e o diamante Taylor-Burton. Seus colares e anéis extravagantes se tornaram sua marca registrada.

Grace Kelly: A princesa de Mônaco, Grace Kelly, era conhecida por sua elegância discreta. Ela preferia joias mais clássicas e atemporais. Pérolas e diamantes da Cartier, por exemplo, eram suas escolhas favoritas.


Joias dos anos 60 e 70 – Contracultura e liberdade

A década de 1960 marcou o auge do luxo, com joalheiros como Harry Winston e Van Cleef & Arpels criando peças deslumbrantes para a elite. O estilo era opulento e feminino, com designs que celebravam a beleza e a riqueza.

Nos anos 1970, a joalheria se libertou das convenções. O movimento hippie influenciou o uso de materiais naturais, com peças coloridas, grandes, étnicas e artesanais. A joalheria refletia o espírito jovem e contestador da época. enquanto a era disco trouxe joias ousadas e glamourosas. Joalheiros como Elsa Peretti e Jean Schlumberger para a Tiffany & Co. revolucionaram o design com formas esculturais, orgânicas e o uso inovador de materiais.


Joias dos nos 80 – Excesso e poder

A década de 1980 foi marcada pelo excesso e pelo estilo “power dressing”, com joias grandes e imponentes, como brincos de argola e colares de corrente grossa. Maxi colares, brincos volumosos, muito brilho. A joia acompanhava a exuberância do consumo e da moda.


Anos 90 e 2000 – Minimalismo e Design Autoral

Já nos anos 1990, a tendência foi para o minimalismo e a simplicidade, com joias discretas e elegantes que complementavam um visual mais casual e sofisticado. Linhas limpas, prata e ouro branco em destaque. O “menos é mais” tomou conta, ao lado da valorização da joia contemporânea e autoral.

A estética minimalista dos anos 90 continua a inspirar o mundo da joalheria, mas com um toque de ousadia. A Cartier, por exemplo, se aprofundou na geometria, criando relógios complexos que brincam com a luz e o espaço. Já a Van Cleef & Arpels se destacou com a originalidade na justaposição de materiais clássicos, transformando-os em peças ideais para o dia a dia. A Buccellati, por sua vez, apostou em designs em camadas que adicionam um brilho especial.

Inspirada por Elsa Peretti, a Tiffany & Co. lançou um chocker que evoca o fascínio da designer por formas esculturais em ouro e pelo uso vibrante do jade, conferindo um ar pop a looks simples como uma camisa branca.

Para quem busca luxo inigualável, a década foi marcada por peças icônicas. A Harry Winston consolidou sua reputação com anéis de diamantes de tirar o fôlego, enquanto a Bulgari e a Boucheron apresentaram colares imponentes que roubavam a cena. E para um toque de inesperado e nostálgico, a famosa tornozeleira fez um retorno triunfal. Graças à clássica coleção de diamantes da Graff, essa peça com ar boêmio se tornou um acessório surpreendentemente chique.

Hoje – Sustentabilidade e Personalização

A joalheria contemporânea transita entre o luxo da alta-costura e o encanto das peças do dia a dia, valorizando a individualidade e a história de quem as usa. Hoje, diamantes cultivados, ouro reciclado e impressoras 3D se unem para dar vida a uma joalheria que combina tecnologia, consciência ambiental e o desejo por peças verdadeiramente únicas.

Esse cenário se organiza em duas grandes frentes:

Sustentabilidade – A origem das pedras e metais se tornou pauta essencial. Cresce a procura por diamantes de laboratório e por joias produzidas com ouro e prata reciclados. Tanto marcas quanto consumidores buscam transparência e ética, alinhando beleza à responsabilidade social e ambiental.

Tecnologia e Personalização – Com os avanços da impressão 3D, é possível criar joias complexas, exclusivas e acessíveis. A internet e as redes sociais ampliaram esse movimento, permitindo que designers independentes alcancem um público global e transformem o mercado de forma inovadora.

Se você deseja transformar sua ideia em uma joia única, conte com Mila Cook, designer de joias em 3D, que une criatividade, técnica e inovação para criar peças personalizadas e cheias de significado.

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